A trajetória artística de Tadeu de Morungaba iniciou-se quando percebeu em si um pendor instintivo para o desenho e à apreciação da arte em geral. Seu autodidatismo levou-o, pela curiosidade, ao manuseio aleatório de materiais com que dava expansão à necessidade de expressar-se. A cor, antes mesmo da forma, passou a ser um dos elementos que o atraíam e nortearam os caminhos da expressão. Aderiu, aos poucos, ao naife, retratando cenas bucólicas da sua memória cujo escaninho formou-se na vida cotidiana em Morungaba, onde nasceu.
Mulheres prosaicas em momentos prosaicos. Interiores ensolarados, vasos de flor, toalhinhas de renda e crochê, animais caseiros, cenas infantis, casario urbano, pavilhões de circos que volta e meia se instalavam na sua cidade e na sua memória, líricos e passageiros na efemeridade mas não na sua obra, imagens sacras suntuosamente apostas sobre fundos detalhadamente pintados numa ampla gama de cores, quando não cercadas de delicados arabescos servindo de moldura numa simbiose sempre evidenciando a harmonia do seu colorido. Seu universo pictórico se expandiu através dos anos e assuntos e temas ganharam lugar no seu interesse. Naturezas-mortas vestiram nova e ousada roupagem, objetos e frutos ocupando rigorosamente harmônicos o espaço das telas, rigor verificável em todos os seus trabalhos, desde o início.
Nessa vasta temática, o que se veio aprimorando, foi o trato do colorido. Desde o início o domínio da cor destacava-se nos seus trabalhos. A pintura, já foi dito por Michelangelo, é uma cosa mentale. O que se evidencia no panorama geral da pintura de Tadeu de Morungaba, é o instinto certeiro na manipulação da cor, evidentemente um escrutínio mental, próprio e exclusivo do artista.
